01. Como você se descreveria em poucas palavras?
Ah, eu me descrevo como: uma pessoa um pouco excêntrica. Essa é a palavra.
Não tenho muito o que falar além disso.
02. O que a levou a começar a escrever? E como você descobriu sua paixão pela escrita?
A princípio, quem me levou a escrever foi o Velkan. Ele ficou insistindo para que eu escrevesse, especialmente por conta de alguns sonhos bem estranhos que nós tínhamos, Ele dizia: “Nossa, isso daria um belo universo sci-fi, vamos escrever?”
E eu sempre respondia que não sabia escrever, que nem gostava muito, que nem português direito eu sabia. Mas ele foi me incentivando tanto, que acabou me convencendo. Falou: “Vamos escrever juntos, eu te ajudo.”
Assim começamos a escrever um livro juntos, o ‘’Projeto Limiar’’. Foi recente,
começamos por volta de março deste ano.
03. Como você se sente sobre ser uma autora negra e publicar no Wattpad?
Essa pergunta é difícil. Ser uma autora negra, para mim, é uma honra. Tenho
orgulho da cor da minha pele e descobrir esse caminho como autora tem sido
maravilhoso. É gratificante fazer novas amizades, descobrir talentos que eu
nem imaginava ter, quebrar paradigmas, derrubar limites impostos pela sociedade. De forma geral, publicar no Wattpad está sendo surpreendente, eu nunca achei que colocaria um livro lá, e agora vejo meu livro com quase dois mil acessos. Saber que o pessoal está gostando, ver comentários sobre os personagens, principalmente o ódio por um, o carinho por outro, nossa, isso me emociona de verdade!
SEÇÃO 02: SOBRE O GENERO DARK
04. O que a atraiu e ainda a atrai ao gênero Dark? E como você se inspira para criar histórias sombrias e emocionais?
O que me atraiu e até hoje ainda atrai, no gênero Dark? Sinceramente, não sei
explicar direito. Eu simplesmente gosto. É uma atração que não tem lógica, é algo que te puxa, te faz querer consumir, estudar, saber mais, entende? A verdade é que eu acho o universo Dark infinitamente mais interessante do que histórias românticas em que tudo termina bem. O mundo real não é feliz, não é cor-de-rosa. O mundo é escuro, é sombrio, é grotesco. A melhor ficção, pra mim, é aquela que se inspira na realidade, e tem coisas reais que são muito
mais assustadoras do que qualquer história inventada. Em outras palavras, eu diria que o que me puxa. O que me atrai para o Dark é justamente isso: O gênero expõe a maldade que existe no coração humano, as sombras que muita gente finge não enxergar. E é aí que eu encontro inspiração para escrever histórias que não têm medo de mergulhar no lado obscuro da vida.
A verdade é que nem todo mundo tem estômago forte para certos tipos de
leitura. O mundo não é bonitinho, não é fofo, ele é cruel. Sendo bem realista...
Coisas ruins acontecem o tempo todo. Eu apenas tenho a coragem de colocar
isso no papel.
Claro, nem tudo que escrevo é autobiográfico; sejamos honestos né? Alguns conteúdos são pura ficção. Mas muitos sentimentos, reações e situações vêm de experiências que vivi ou, principalmente, de conversas com pessoas que passaram por situações realmente pesadas. Faço muita pesquisa, estudo,
converso, tudo para retratar o que é difícil de um jeito o mais real possível.
E, sinceramente? Acho interessante o fato de não serem todos que têm
coragem de ler. Eu não escrevo para agradar; escrevo porque preciso colocar o
que está na minha mente no papel. Se você tem coragem de encarar, parabéns. Se não tem, está tudo certo, na real? Vai ler outra coisa, vai ler livro de fadinha. (risos)
06. Qual é o seu maior desafio ao escrever histórias Dark, e como você supera esses obstáculos?
O maior desafio, sinceramente, é encontrar onde publicar. Já precisei remover
conteúdo do meu blog por ser considerado pesado, quase perdi uma conta que
mantenho há dez anos. Plataformas como Wattpad, Amazon, Google Play, ou
até clubes de autores não facilitam, quero dizer: Se o conteúdo é mais sombrio,
geralmente é barrado ou retirado do ar. Simples assim.
Escrever é a parte fácil. O difícil é compartilhar, mostrar pra alguém, encontrar um público. Gerar aceitação, a maioria das pessoas não gosta, e quem gosta muitas vezes nem consegue acesso por causa das restrições impostas pelas
plataformas. É complicado, sabe?
Vivemos numa época em que tudo precisa ser politicamente correto, e tem
muita hipocrisia envolvida nisso. Não podemos publicar ficção que retrate o
grotesco, mas basta ligar o telejornal pra ver que a realidade é bem pior, todos
os dias. A ficção é censurada, enquanto a realidade pode ser cruel à vontade.
Pra mim, esse é o maior obstáculo: não é a escrita, e sim a barreira para
mostrar essa escrita ao mundo.
Seção 3: Sobre a Escrita e o Wattpad
Amostra Do Livro Perdida Por Ti, Mancini - Escritora k. Somerhalder
by ハンター サルバトーレ
07. O que a inspira a criar histórias únicas?
Sinceramente? Não sei explicar direito de onde vem a inspiração. Às vezes surgem ideias absurdas na minha cabeça, e algumas acabam sendo aproveitadas. Um exemplo: o livro que está postado no Wattpad, o do Mancini, que muita gente está curtindo ler. Esse livro, na verdade, é um spin-off de outra história minha, muito mais pesada. Os personagens do Mancini eram, originalmente, personagens secundários, ou seja: não eram protagonistas do outro livro. Só que eles acabaram sendo tão cativantes, que isso envolveu o pessoal, que por sua vez gostou tanto, que resolvi criar um spin-off só pra eles, especialmente para o nosso grupo de leitura, o ‘’Do livro não me livro’’.
Confesso aqui para vocês: quase nada do que escrevo pode ser postado no
Wattpad porque a maioria das histórias é pesada demais para as regras da
plataforma. Essa do Mancini é uma exceção, feita especialmente pensando em
quem está acompanhando.
08. Como você consegue manter a motivação para continuar escrevendo?
Pra mim, a inspiração pode vir de qualquer lugar, a qualquer momento. Mas,
neste momento, minha maior motivação para continuar escrevendo no Wattpad
é saber que vocês, meus leitores, estão gostando. Se eu percebesse que o
público não estava curtindo, provavelmente já teria parado, mudado o rumo ou
começado outra coisa. Sim, o mundo da escrita tem essas coisas. É um
processo que acontece naturalmente, conforme a interação e o interesse de
quem lê. É mágico!
09. Como você se sente sobre a comunidade do Wattpad, e como você
interage com seus leitores?
Sendo bem sincera? Não sou muito fã da comunidade do Wattpad. A maioria
dos livros que tem lá não me atrai, muitos não fazem meu tipo de leitura e, para
ser honesta, acho vários deles fracos, muito fracos. Não é o tipo de conteúdo
que costumo consumir. Claro, existem obras boas? Sim, realmente gostosas de
ler, não vou ser hipócrita e dizer que não têm textos ali que são um verdadeiro deleite, mas também têm outros que são difíceis até de entender como alguém teve coragem de postar. E isso é surreal!
O que realmente me surpreendeu, porém, foi o grupo de leitura. O pessoal lá é
muito legal de interagir, e existem livros realmente interessantes, que deixam a
leitura fluida e gostosa. É ótimo poder conversar com os autores, discutir os
personagens, reclamar de um, elogiar outro. Isso torna a experiência muito
mais rica. Um dos meus favoritos foi o livro da Anaconda Amazônica (Nos Labirintos da Selva).
Nossa, fiquei até triste quando saiu da grade de leitura, porque realmente estava
adorando. É claro que têm gêneros que não me pegam, como policial, por exemplo. Não costumo ler esse tipo de livro, mas mesmo assim procuro interagir e participar com todo mundo. O que faz a diferença, no fim das contas? O convívio com outros escritores. Isso sim, torna tudo mais bacana e motivador. Pra ser honesta, se não fosse pelo grupo, eu não estaria postando no Wattpad, nem escrevendo o livro do Mancini, e provavelmente também não estaria lendo nada por lá. A plataforma em si não me atrai, mas o grupo
conseguiu fazer toda a diferença pra mim.
Seção 4: Sobre a Representação e a Diversidade.
10. Como você se sente sobre a representação de personagens negros
em suas histórias?
Minhas histórias são muito diversificadas. Tenho personagens negros, brancos,
japoneses, nativos, ao meu ver, tudo depende da ambientação. Por exemplo,
no livro de Arequipa, há muitos personagens com pele mais escura, porque são nativos daquele lugar, entende? Faço questão de pesquisar bastante sobre a
cultura, os costumes, o jeito de ser dessas pessoas, pra que a representação
seja respeitosa e fiel, na verdade, o mais realista possível.
Já no projeto Limiar, a liberdade é ainda maior! Alguns reinos, por exemplo, são
compostos majoritariamente por pessoas negras e são extremamente
desenvolvidos, poderosos e influentes dentro da narrativa. É interessante criar
realidades onde não existem, esse peso negativo do preconceito, e onde
pessoas negras podem ser felizes, poderosas e protagonistas sem terem que
justificar sua existência o tempo todo.
Infelizmente, a realidade não é assim. Por isso, em algumas histórias, trago sim
o tema do preconceito e da discriminação de forma crítica, usando a ficção
como espelho e denúncia social. Tento mostrar que, embora a gente sonhe
com um mundo mais justo, ainda enfrentamos muitos obstáculos, tanto dentro quanto fora dos livros. Em “Limiar”, por exemplo, há conflitos entre reinos
baseados na diversidade cultural e no tom de pele, e a personagem principal,
de pele mais escura, enfrenta episódios de preconceito que impactam diretamente sua trajetória.
Acredito que a literatura, como um todo, tem um papel fundamental para discutir essas questões, dar visibilidade a personagens negros de forma real e
humana, e provocar reflexão, isso é o mais importante! Seja mostrando universos onde tudo é possível ou... seja retratando a dureza da vida real. E enquanto no mundo real as coisas ainda são muito difíceis, ao menos na ficção eu posso garantir a meus personagens negros o protagonismo, a felicidade e a dignidade que eles merecem.
No fim das contas, escrever sobre isso é também uma forma de resistência, de
denúncia e de esperança por dias melhores.
11. Quais são os principais desafios de criar uma personagem negra autêntica e evitar estereótipos?
Pra mim, não existe desafio em criar personagens negros ou negras. É algo
absolutamente tranquilo, natural. Inclusive, tenho personagens negras incríveis
sendo desenvolvidas nas minhas histórias.
Por exemplo, tem a Vivi e bem, ela não é a protagonista, mas é a melhor amiga
da personagem principal de um dos livros secundários. Vivi é fundamental para
a trama: quando a protagonista, que trabalha numa clínica psiquiátrica, é
sequestrada junto com outras pessoas, é a Vivi quem se joga de cabeça pra encontrar e salvar a amiga. Ela enfrenta um monte de dificuldades, passa por situações tensas e mostra uma força absurda. Ela é negra! Entendeu? Uma personalidade fortíssima! E deixa o livro muito mais interessante! Não pelo lado cômico, mas pelo quanto ela se arrisca e luta pelo que acredita.
Tem também a Kat, que é a protagonista do universo de ‘’Obscuros’’. Ela é o par do vampiro vegano (sim, a gente tem um vampiro vegano!). Kat é uma personagem incrível, com um sarcasmo afiado, personalidade forte e única. No
mundo de ‘’Obscuros’’, ela enfrenta preconceito não só por sua cor de pele,
mas também por viver à margem de uma sociedade extremamente religiosa e
preconceituosa. O engraçado é que os maiores obstáculos dela nem vêm das
criaturas sobrenaturais, mas sim dos próprios seres humanos ao redor. Isso
torna a jornada dela ainda mais marcante.
E, claro, no universo de ‘’Limiar’’, tem a Hazel. Ela é absolutamente central. O
mundo de Limiar não existiria sem ela. É uma personagem maravilhosa:
inteligente, linda, cheia de camadas. Escrever em primeira pessoa, entrando na
mente dela, é um dos maiores prazeres que tenho como autora. Ela é uma força da natureza e torna a história viva de verdade!
Criar essas personagens é, acima de tudo, gratificante. São vozes e vivências
que enriquecem cada história, e é um orgulho poder contar com elas nas
minhas narrativas!
12. Qual dos teus personagens negros você gosta mais e por quê?
Sem dúvida, minha personagem negra favorita é a Hazel. Ela não é só
uma protagonista: Hazel é a alma de Limiar. O universo inteiro gira em torno dela — nada ali existiria sem sua presença, sua força, sua coragem.
Escrever a Hazel é como abrir um portal para emoções reais, pra dor, pra beleza, pra tudo que existe de intenso e verdadeiro.
O que faz a gente amar a Hazel? É a inteligência afiada, o olhar crítico, a
humanidade profunda. Ela é uma personagem que se joga de cabeça nas
próprias escolhas, enfrenta preconceitos, enfrenta monstros, enfrenta o mundo.
Mas, ao mesmo tempo, nunca perde a capacidade de amar, de rir, de se reinventar.
Hazel tem falhas, medos e contradições, e isso só deixa tudo mais rico. Ela é linda, é forte, é vulnerável e, principalmente, é autêntica! Não tenta agradar ninguém, não pede licença para existir, ocupa o espaço dela no mundo do jeito que precisa ser.
E não está nem aí para tais regras impostas.
A Hazel é aquela personagem que te faz sentir orgulho, que te arranca lágrimas e que faz você enxergar o poder de uma boa história. Escrever a Hazel é, sinceramente, uma das melhores experiências que já tive como autora!
Enfim, é impossível não os amar.
13. Qual personagem negro você desenvolveu com mais detalhes e trabalho, e por quê?
A personagem que mais recebeu detalhes e dedicação no desenvolvimento foi,
sem dúvida, a Hazel. Ela não é só central em Limiar, ela é o pilar sobre o qual
todo o universo se constrói. Desde o início, eu sabia que Hazel precisava ser
muito mais do que uma protagonista. Quis dar a ela a profundidade, as camadas, contradições e um passado que influenciasse cada decisão no
presente.
Trabalhei intensamente na personalidade da Hazel, nos dilemas que ela
enfrenta, na forma como lida com a própria identidade, com o mundo ao redor
e, claro, com o preconceito. Fui além do superficial, gosto disto: Explorei sua
família, seus traumas, amores, medos, sonhos e pequenas manias.
A Hazel não é perfeita (claro) e justamente por isso, ela é tão humana e forte.
Ela erra, acerta, sofre, ri, ama, sente medo, tem raiva, desafia os próprios limites e se recusa a ser definida apenas pelo que esperam dela. É por isso que a Hazel foi e continua sendo o maior desafio e, ao mesmo tempo, é sem dúvidas o maior orgulho de todo o meu processo criativo.
14. Qual foi sua leitura mais recente com personagens negros?
A minha leitura mais recente com personagem negro foi com a indiazinha
da Anaconda Amazônica. Nossa, eu adorei aquela mulher! Ela é empoderada,
dona de si, tem um barco, lidera a equipe, pega uma arma e sai metendo tiro
nos vagabundos sem medo de nada. É linda, corajosa, maravilhosa e ainda está se divorciando, mostrando que não precisa de homem pra nada. E como se não bastasse tudo isso, pegou um médico branco. Ela vive a própria história e não aceita menos do que merece. Adorei demais essa personagem. É o tipo de mulher que inspira, que não abaixa a cabeça pra ninguém.
15. Quais autores negros você leu recentemente?
Sinceramente? É complicado pra mim responder essa pergunta porque, leio
tanta coisa, recebo tanto material, que acabo não associando o rosto do autor
ao livro. Ultimamente, meus livros mais frequentes são do HotPad e do nosso
grupo, onde tenho certeza que há autores negros, mas nem sempre sei quem é
quem, porque não me prendo à aparência ou à origem, vou lendo e me
envolvendo com a história, e pronto.
Se eu fosse olhar só para autores lançados por editoras tradicionais, honestamente, acho que, de todos os livros da minha vida, se tiver cinco autores negros, é muito. Isso me faz pensar: Será que é falta de oportunidade? Falta de interesse? Ou simplesmente reflexo de um mundo ainda muito preconceituoso? Não sei dizer, mas reconheço que é um cenário triste.
No fim das contas, acho que o importante é ler de tudo, apoiar vozes diversas, mas também cobrar e buscar mais espaço para autores negros nas estantes e
nas prateleiras.
16. Qual é a importância de ter autores negros no gênero Dark, e como você acredita que isso pode impactar a indústria?
Acho fundamental ter autores em qualquer gênero, pra falar a verdade.
Cada autor traz seu olhar, sua experiência de vida, seus medos e suas cicatrizes, e isso só enriquece o universo da literatura. No Dark, onde a gente explora a dor, o medo, o que é estranho e marginalizado, nada mais justo do que ter pessoas negras contando suas próprias histórias e monstros. São vivências diferentes, sabe? Traumas e lutas diferentes, visões de mundo que ninguém mais pode imitar.
A presença de autores negros pode chacoalhar a indústria, quebrar
estereótipos, mostrar outras dores, outros medos, outras formas de resistência.
Isso obriga o mercado a se abrir, a deixar de olhar sempre pro mesmo lugar e
aceitar o novo, o inquietante. Como um todo, quanto mais vozes diversas a
gente tiver na literatura melhor. E sinceramente? O que é Dark de verdade se
não for a voz de quem já viveu à margem?
17. Como você lida com críticas ou comentários negativos sobre sua escrita ou personagens?
Eu não ligo pra crítica vazia. Crítica construtiva, vinda de alguém que entende
do assunto, eu até gosto, porque me ajuda a melhorar, me faz olhar pro meu texto com outros olhos. Agora, crítica de quem só quer falar mal, gente que nem consegue escrever cinco mil palavras seguidas, eu simplesmente ignoro.
Tem muita gente por aí sem capacidade interpretativa, que nem entende o que
está lendo e quer criticar. Sinto pena, porque, pra mim, isso não tem valor
nenhum. Agora, quando recebo um comentário bem embasado, uma dica
sobre um vício linguístico, ou alguém que aponta um excesso de palavrão de
um personagem, por exemplo, aí sim eu paro, penso e vejo se faz sentido
ajustar.
Só levo a sério crítica que vem de quem realmente entende de leitura e escrita.
O resto, deixo passar, não tenho tempo pra me preocupar com opinião
infundada.
18. Acredita que autores negros têm mais obstáculos que autores de outras etnias? Justifique.
Sim, acredito que autores negros enfrentam mais obstáculos do que autores de outras etnias, mas isso não se dá só pelo fato de serem negros, e sim por toda
a estrutura social que cerca essa questão. Muitas vezes, a qualidade do ensino
oferecido à população negra e pobre é inferior. Faltam incentivo à leitura, falta
acesso a livros, falta tempo livre para desenvolver o hábito da escrita, porque
aqui, na base, a prioridade é sobreviver e correr atrás do básico do dia a dia.
Isso acaba gerando um ciclo: se não há incentivo à leitura, dificilmente haverá
incentivo à escrita. E quando surge um talento, esse talento precisa trabalhar o
triplo pra ser reconhecido, pra ter espaço, pra conseguir ser lido de verdade.
Além disso, o preconceito estrutural não desaparece quando se fala em literatura muito pelo contrário. Existe uma barreira velada, que faz com que autores negros tenham que provar, o tempo inteiro, que são capazes, que merecem o mesmo espaço, que têm qualidade. E se formos pensar no mercado nacional, o autor brasileiro já enfrenta dificuldade para ser levado a sério, tanto pelos próprios brasileiros quanto no exterior. Para o autor negro, esses desafios se multiplicam, porque ele ainda precisa romper preconceitos e
estereótipos que insistem em limitar seu potencial.
No fim das contas, o caminho é mais difícil, sim. Mas é por isso mesmo que precisamos de cada vez mais vozes negras escrevendo, publicando, rompendo essas barreiras e ocupando todos os espaços possíveis na literatura.
Seção 5: Sobre o Futuro e os Planos.
19. Você planeja aumentar a quantidade de personagens negros com grandes destaques em suas obras? Justifique.
Sim, sem dúvida. Já estou desenvolvendo alguns personagens negros que
terão destaque importante nas próximas histórias. Acho fundamental trazer
mais representatividade, explorar diferentes vivências, protagonismos e
nuances, não só pela diversidade, mas porque enriquece o universo das
minhas obras.
Podem esperar: vêm aí personagens negros bem construídos, com histórias
próprias, voz ativa e impacto real nas tramas!
Fiquem aguardando! vai ser uma grande surpresa, mas já posso garantir que
vem coisa muito bacana por aí!
20. Você tem algum projeto em andamento que possa compartilhar com os leitores?
Sim, tenho alguns projetos em andamento. Por enquanto, não há publicação oficial, já que comecei a escrever este ano e ainda estou amadurecendo minhas obras, mas o ritmo tem sido até bem rápido! Tenho vários livros bem adiantados, entre eles destaco “A lenda esquecida do Monge de Arequipa’’, que é voltado ao terror mais um terror Family friend…
https://causosanormais.blogspot.com/2025/10/blog-post_13.html
Você pode conferir as primeiras páginas diretamente no meu blog — não
precisa baixar nada, é só acessar e ler por lá.
No segundo link, está minha página de obras, dedicada apenas à escrita de
livros:
https://k-somerhalder.blogspot.com/
É só ir rolando pra baixo e escolher uma das capas.
E, pra quem quiser, também tem o link do livro do Mancini, que está disponível
gratuitamente no WP para todos que quiserem ler.
Fiquem à vontade para explorar e, claro, mandar opiniões e sugestões. Estou
animada para compartilhar cada vez mais com vocês!
https://www.wattpad.com/story/402540136-perdida-por-ti-mancini
21. Como você se vê evoluindo como autora, e o que você espera alcançar nos próximos anos?
Estou feliz. Nunca imaginei que um dia seria autora, sempre amei ler, mas
escrever parecia uma coisa distante demais pra mim. O que aconteceu esse
ano foi surpreendente: ver pessoas gostando do que eu escrevo é
emocionante, me dá vontade de continuar.
Meu objetivo é seguir escrevendo, publicar o livro do Monge e avançar com
outros projetos que já estão em andamento. Meu sonho é ver todas essas
histórias publicadas, compartilhadas, chegando ao maior número de pessoas
possível.
Algumas obras pretendo disponibilizar gratuitamente, só pelo prazer de saber
que alguém está lendo algo meu; outras, quem sabe, podem até me trazer
algum retorno financeiro no futuro. Por enquanto, escrevo porque me dá prazer,
me faz feliz, me realiza. E vai que um dia isso vira profissão? Não sei, mas sigo
tentando, vivendo e criando, sem perder o gosto por contar histórias.
Seção 6: Para os Leitores.
22. Qual é a mensagem que você gostaria de transmitir aos seus leitores, especialmente aqueles que se identificam com suas histórias?
Procure um psiquiatra (risos). Brincadeira!
Bem, fico muito feliz em saber que vocês estão gostando das minhas histórias.
O mais importante é: não parem de ler. Não importa se é o meu livro ou o de
outra pessoa, o que vale é manter a mente ativa, curiosa e em movimento.
A leitura distrai, acalma, inspira, faz viajar por outros universos e, às vezes,
salva a gente de tomar decisões das quais podemos nos arrepender depois
(tipo tacar a panela de pressão na cabeça de alguém — vai ler um livro, se
acalma!).
Continue lendo, conheça novas histórias, descubra outros autores, permita-se
sonhar. Em outras palavras, a literatura é abrigo, é companhia, é impulso pra
vida. Então, não parem de ler queridos, nunca!
23. Como você se sente sobre a conexão que os leitores têm com suas
histórias, e o que isso significa para você?
É difícil colocar em palavras o quanto isso significa pra mim. Saber que alguém
se conecta com aquilo que escrevi, que minhas histórias despertam
sentimentos, reflexões ou até mesmo conforto em outra pessoa, é algo
poderoso.
Essa conexão é, de longe, a parte mais gratificante de ser autora.
É o que me motiva a continuar, a buscar novas histórias e a me superar. No fim
das contas, escrever é dividir um pedaço do que sou. E ver isso tocando outras
pessoas é, sinceramente, uma das melhores sensações do mundo.
E enquanto houver um leitor se conectando comigo desse jeito, vou seguir
contando histórias.
24. Qual é o seu conselho para leitores que estão procurando por histórias Dark e emocionais?
Se joga sem medo. Não procure conforto, procure verdade. Histórias Dark e
emocionais não foram feitas pra te deixar leve, mas pra te fazer pensar, sentir,
talvez até se despedaçar um pouco e sair diferente do outro lado.
Busque autores que não têm medo de encarar a sombra. Não espere finais
felizes nem receitas prontas. Abra o coração pra sentir desconforto, saudade,
agonia e até aquele friozinho bom na espinha.
E não tenha medo de abandonar histórias que não te pegam, mas quando encontrar uma que mexa contigo, vá até o fim! Ler Dark é pra quem tem coragem de olhar pra escuridão e descobrir o que existe lá dentro.
25. Você tem algum livro ou autor favorito que a inspira, e por quê?
Sem dúvida, “A Torre Negra’’ do Stephen King é uma das minhas maiores
inspirações. É uma saga que mistura fantasia, terror, aventura, desespero e
esperança, tudo junto. King cria mundos complexos, personagens cheios de
falhas e histórias que atravessam o tempo e a realidade. Acho incrível a
coragem dele de ir fundo no lado sombrio da existência humana, sem perder o
lirismo.
Esta obra do Stephen me inspira a arriscar, misturar gêneros, e nunca ter medo
de criar algo novo — mesmo que pareça estranho, mesmo que fuja do padrão.
26. Qual é o seu agradecimento aos leitores que têm apoiado sua carreira?
Venham cá meus amores, vamos dar as mãos e caminhar juntos rumo ao
CAPs. (Risos)
27. Quais autores negros atuais, independente de qualquer gênero textual, você indicaria aos seus leitores?
Mulher socorro, só conheço gente branca kkkkkkkkkk...
Revisor:
5 comentários:
Linda Darkezinha 👏🏻👏🏻
Darkzinha sendo tão necessária e precisa nas palavras! Parabéns ♥️
Muito bom kah
E o final foi engraçado!
Essa entrevista ficou incrível...
Mas sou suspeita pra falar 🤭
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