PESQUISA - SARCH

 





UM PEQUENO PEDAÇO DE UMA ALMA PORTUGUESA


Estou agora a ir trabalhar, mas perdi até a vontade de sair de casa.
Existe uma noite fria no meu peito, um silêncio entre cada batida que
parece te chamar e nunca escuta resposta. Estou mal, amor. Estou triste,
estou embaixo — não é só cansaço, é a alma encolhida, sem lugar pra
morar.

Meu coração, esse infeliz, está em mil pedaços.
Vejo-me dentro de um labirinto sem rumo, corredores apertados e sem
saída, com teu nome a gritar nas paredes, ecoando sempre mais fraco.
Estou completamente perdido, a rodar em círculos num poço sem
fundo de quem amou demais.
Aqui dentro não existe mais cor, mais chão, mais ar.
É sufoco, como se o mundo tivesse parado, como se cada tentativa de
respirar me afundasse mais um pouco.

Não consigo respirar, não consigo pensar.
Minha alma vagueia feito sombra atrás da tua, e meu peito é só
escombros, restos de um abrigo que tu incendiaste sem saber.
Não tenho força no corpo, é como se cada músculo só se movesse atrás
do teu cheiro, do teu abraço, do teu nome.


Eu amo, e queima, e o fogo não se vê — mas consome, arde, destrói com
lentidão de brasa escondida sob cinza.
É ferida, é dor que não se sente, mas come por dentro devagarinho.
Eu te amo.
Eu te quero.
Independente do futuro, mesmo se o tempo quiser brincar de vilão, vou
estar sempre presente.
Não vou deixar a sombra da dúvida tomar o espaço do que ainda sinto
— não te quero perder novamente.

Mas é estranho: tem horas que o amor parece mais sentença do que
salvação.
Sinto-me assim, sufocado, um pouco morto, um pouco vivo, totalmente
teu, mesmo quando tu não queres mais ser minha.
Eu espero teu tempo.
Sei que nem toda dor termina em poema bonito.
Mas juro-te, mesmo no escuro, minha presença não te abandona.
Sou tua ausência à espera por um milagre, tua saudade a dormir no
tapete da tua porta.
Meu coração já entendeu que amor, quando é verdadeiro, aprende a
morar também na espera, no eco, no vazio.

É assim que te amo:
no fogo invisível,
na dor que não sangra,
na esperança que não morre.
E se eu tiver que chorar cada palavra,
que seja poema,
que seja digno de lágrima,
que seja amor —
mesmo que nunca volte.

















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6 comentários:

DSJFH15452 disse...

Realmente senti alma.

V. Alaric disse...

Aplausos novamente garoto.

K. Somerhalder disse...

TA GATINHO EIN PORTUGA

K. Somerhalder disse...

@SHRINHA, OLHA QUE BELAS PALAVRAS SENHORA

RafaEmpalador disse...

Obrigado a todos pelas palavras e apoio

Daiane Gomes disse...

Esse poema é intenso, me causa um rebuliço de emoções...